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Louise Warren, poeta e ensaísta
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Photographie
Richard Gravel, 2006 |
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LOUISE WARREN nasceu em Montreal
(Quebec) em 1956. Poeta e ensaísta. Desde 1984, tem publicado
uns 15 livros de poesia, pela editora Hexagone, entre os quais se
encontram os seguintes: La pratique du bleu e Une pierre
sur une pierre. Entre seus ensaios cabe mencionar Interroger
l’intensité, Bleu de Delft. Archives de solitude,
bem como uma antologia de poesia quebequense dedicada às
artes visuais, La poésie mémoire de l’art.
Obteve numerosas bolsas e prêmios literários, entre
os quais cabe mencionar o Prix de la création artistique
en région (2003), do Conselho de Artes e Letras de Quebec,
que acaba de lhe ser outorgado pela totalidade de sua obra. Em âmbito
internacional, participou do Festival Internacional de Poesía
de Medellín, em 2002, e de Cartagena de Indias, em 2003 e
2004, ambos na Colômbia, além do Festival Mundial de
Poesía na Venezuela, em 2004. Também tem participado
com frequência da Feira da Poesia de Paris.
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Sol como oráculo
(Soleil comme un oracle, Montréal, l’Hexagone, 2003)
Fragmentos. Tradução de Floriano Martins
Quando não houver ninguém
a quem falar de ti
ninguém
a quem mostrar teu rosto
amoldar-me-ei à tua ausência
deixarei que tome forma
inclinar-me-ei a ti
*
Apenas a minha respiração
em meio às árvores e à noite
em uma praça onde rebentam colares
*
Luz
entrançada em meu coração
abri a mão
fechei a mão
outra figura concebi
*
Uma ilha
já se desprende
do ruído surdo
falei a ti dos muros escritos
desta cidade
dos muros por traduzir
falei da generosidade
e das figueiras
que eu gostaria de ver
em preto e branco
*
Este aceno
uma ínfima pressão
sobre meu ombro
assegura-me a presença ou o existir
da melancolia do canto
deslizando-se ao longo de meus braços pálidos
caindo junto a meus passos
eis aí minha voz no outro mundo
uma sombra como escritura
água, pedras e raízes
eis aí a madeira dos barcos e dos postigos
pegadas e ornamentos
muros de luz, velhas árvores
a blusa branca de tua irmã
enquanto o dia se esgota
sobre a jovem mãe amamentando
sentada nas dobras da água
azul, negra e o pequeno em um círculo cálido
é tudo o que vi
*
Ser como um segredo
na escuridão
sombra, pó, voz
tudo soçobra no negrume
depois chega o dia
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